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2018: o que podemos fazer por nós enquanto cidadãos, comunidades, regiões, país?

Terça-feira, 02.01.18

 

 

Começo por esclarecer que não estou a dizer o que podemos fazer pelo país político, frase primeiro ouvida a Kennedy (what you can do for your country) e posteriormente adoptada por outros políticos :) É a frase que coloca jovens militares em guerras imorais destruindo gerações, é a frase que inspira ao sacrifício pessoal por interesses obscuros, é a frase que desresponsabiliza governos e políticos de fazerem o que deveriam pelos cidadãos. Não sei se era essa a perspectiva de Kennedy que nem foi um Presidente bélico, mas é assim que é interpretada e utilizada pelos políticos. 

A minha sugestão vai precisamente no sentido contrário: tendo nós já verificado (e ando a dizê-lo há 10 anos) que os sucessivos governos desde o governo socrático, passando pelo governo-troika, e este socialista actual, negligenciaram o seu dever e responsabilidade mais básicos, é tempo de tratarmos uns dos outros como cidadãos, comunidades, regiões, país.

A minha sugestão é a da participação cívica. De certo modo, já iniciada como um movimento ainda não organizado. Lembremos o 15 de Setembro, petições várias, encontros nos centros de algumas cidades depois dos incêndios e, mais recentemente, a iniciativa da Associação Tranaparência e Integridade sobre a proposta de lei do financiamento dos partidos.

 

Como cidadãos, podemos reclamar um governo responsável que finalmente coloque os cidadãos, as comunidades, as regiões e o país à frente de interesses oportunistas, de rampa de lançamento para políticos em Bruxelas (Sampaio lançou Barroso, Sócrates lançou Constâncio, Costa lançou Centeno, as nossas stars na Europa :) Barroso, depois da Cimeira das Lajes que anunciou a guerra ilegal do Iraque, e 20 anos à frente da CE, foi terminar a sua carreira no Goldman Sachs. Constâncio, depois de vários anos à frente do Banco de Portugal em que situou o défice de Santana Lopes em 6,83 e falhou clamorosamente na supervisão bancária, foi catapultado para o BCE. Centeno foi premiado com a presidência do Eurogrupo por ter ido além das regras europeias pelo défice e pela dívida, como mais um "bom aluno" de Bruxelas, cativando as vidas de cidadãos, comunidades, regiões e país.

As nossas stars europeias não nos podem animar, entusiasmar ou sequer inspirar. Trata-se de uma vaidade humana que nos ilude, tal como a frase de Kennedy interpretada pelos políticos. A cultura do orgulho nacional é obsoleta, já não move ninguém que goste de si próprio, dos outros e da vida. Porquê?

Porque o orgulho, que incha os políticos e outras pessoas pueris ou imaturas, é apenas o reverso da vergonha. Apelar ao orgulho de si próprio, de outros, de um grupo, de uma equipa, ou de um país, é apenas compensar o sentimento mais destrutivo de todos: a vergonha.

 

Quando conseguimos terminar uma tarefa difícil, ou encestar no basket, ou enfrentar alguém que tinha um ascendente sobre nós, ou tomar uma decisão seguindo a nossa consciência, sentimo-nos bem, felizes, confortados, tranquilos.

Quando alguém de quem gostamos consegue aquilo que deseja, ultrapassar obstáculos, organizar a sua vida de forma autónoma, encontrar a estabilidade afectiva ou ver o seu trabalho reconhecido, sentimo-nos felizes por ele ou com ele.

E o mesmo para pais e filhos, onde ouço muitas vezes a palavra orgulho de ti em vez de felicidade por ou com. Os pais podem não se aperceber, mas seria muito mais saudável dizer a um filho: sinto-me feliz por ti ou sinto-me feliz contigo, do que sinto-me orgulhoso de ti.

 

2018 traz-nos grandes desafios:

- não podendo confiar neste governo em áreas fundamentais como a prevenção, a segurança, a protecção civil, a justiça, a agricultura, o ambiente, o que podemos fazer para prevenir situações de risco, na floresta e nas estradas, em termos ambientais, na utilização da água, etc.?

- mas não esquecer a saúde e o SNS, e a educação, áreas essenciais para os cidadãos.

 

O que nos pode ajudar?

- uma conjuntura política e económica favorável: isto está fora do nosso controle. E é aqui que Centeno no Eurogrupo vai complicar ainda mais as coisas, ao implicar um reforço do papel de "bom aluno", um exemplo para os outros países da zona euro.

- a economia vai ser condicionada de forma ainda mais apertada com Centeno no Eurogrupo e o PS a governar. Também aqui os cidadãos podem ter uma voz organizada de forma a defender o seu espaço-tempo e a resgatar o seu futuro.

- as eleições directas no PSD: a escolha do próximo presidente do PSD pode não parecer fundamental para todos nós, mas é. Trata-se muito provavelmente do próximo PM. Além disso, a AR precisa de um reequilíbrio: o PS inchou de orgulho com o défice, a dívida, os números do crescimento, o rating, as sondagens, e Centeno no Eurogrupo. E já delira com a maioria absoluta. É por isso que é importante ajudar a clarificar o que significa para nós a escolha por um ou por outro dos candidatos. Daqui a 2 dias temos o primeiro debate. Estejamos atentos, pois.

 

Como manter a nossa capacidade de observação e análise, e autonomia de pensamento?

- não nos deixarmos influenciar pelos media, jornalistas, comentadores, comentadores-deputados e políticos em geral. Um dos comentários mais estranhos e perversos que eu já ouvi na minha vida foi, na sequência dos incêndios e das tragédias, e sobre a reacção dos cidadãos em relação ao governo, alguém dizer num canal televisivo que os portugueses são bipolares, isto é, variam entre a euforia e a depressão. A verdade é que a depressão foi a reacção normal face às tragédias. Quem não sentiu uma tristeza e revolta com o que aconteceu é que revela incapacidade de empatia com o sofrimento de outros.

- não nos deixarmos distrair com manobras de diversão. O PS é profissional nessa arte: anúncios espectaculares, sucessos nisto e naquilo, o país está na moda, ou então, as rasteiras a adversários políticos, ou palavras que lhes querem colar (ex: "trapalhadas" no tempo do governo de Santana Lopes), ou armadilhas em que os querem colocar. Sempre que se sentirem acossados ou a perder o pé, vão inventar situações comprometedoras. E todos sabemos como a informação pode ser manipulada e levar a equívocos graves.

 

Estou a preparar uma análise dos perfis dos candidatos à presidência do PSD, só me falta juntar o puzzle. Nos pormenores em que ninguém repara é que está a chave da solução que será melhor para todos nós. Só vou adiantar isto: é verdade que a personalidade os distingue e que essa distinção é mesmo importante. É verdade que há perfis que se adaptam aos desafios do séc. XXI e há perfis que não. É verdade que hoje já não se pode governar sozinho e controlar tudo, mas ter uma equipa coesa, organizada, competente, o que exige uma capacidade de interacção social e de inteligência emocional fora do comum. Além disso, hoje é impensável um governante não estar receptivo à participação cívica. E mais do que estar receptivo, apelar à participação cívica e ajudar a mobilizá-la.

Se assistirem ao primeiro debate tendo esta perspectiva em consideração, verão mais claramente quem escolheriam para potencial próximo PM. 

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 14:39

"Libertar o futuro"

Sábado, 20.03.10

 

Vivemos na cultura da banalização. Poderia ter escolhido "a cultura da banalidade" ou "das banalidades", que também o é, mas a verdade é que a cultura actualmente mais influente, a que vemos nas televisões, na rádio, nas revistas, a que se propaga e contamina tudo o que nos envolve, é mais do que simplesmente banal. Sim, a actual cultura vigente banaliza tudo: a vida, os afectos, os sentimentos, as emoções, o sofrimento, os acontecimentos, as pessoas. 

Ao dessacralizar tudo, ao retirar o seu significado único, irrepetível, profundo, coloca tudo no mesmo plano, e esse plano é o da indiferença.

 

É por isso que se generalizou a ideia de que os políticos são todos iguais, os partidos são todos iguais, e que não vale a pena mudar porque vai ser a mesma coisa.

Este discurso cínico da indiferença e da impotência é o mais prejudicial possível na actual situação do país.

O melhor discurso, o que liberta e mobiliza, é o da verdade. Não a verdade embrulhada em desculpabilização, com os alibis do costume. Aliás, alibis que já não pegam.

 

Esta cultura da banalização apoia-se nos jornalistas e comentadores de serviço para matraquear diariamente a versão oficial e meter tudo no mesmo saco. Da forma mais superficial possível. Sem argumentação válida. E sem verdadeiro debate de ideias, só mesmo banalidades.

Mesmo estes estudos pseudo-científicos baseados em inquéritos mais que discutíveis com amostras mínimas, sem neutralizar factores que interferem num estudo científico, sem validação fidedigna, tudo é válido para espalhar a versão que convém ao situacionismo.

 

É o mundo das sondagens pré-eleitorais, que dramatizam as expectativas e pretendem influenciar os eleitores.

Alguém duvida hoje que Paulo Rangel é o que faz tremer os socialistas?

Alguém duvida que o preferido do situacionismo desta cultura da banalização é Passos Coelho? 

 

Não se pode meter tudo no mesmo saco, deve cultivar-se a observação e a reflexão. Distanciarmo-nos do barulho que por aí vai.

Atirarem-nos com números que nem sequer são fiáveis, não nos impressiona. Já vimos como os números são facilmente manipuláveis. 

Se até mesmo os números que se aproximam da realidade acabam por banalizar essa mesma realidade se mal interpretados e mal utilizados...

 

Por isso estou confiante: o PSD ainda tem uma grande reserva de auto-preservação e instinto de sobrevivência para não se deixar iludir. Mostrou que está vivo, como já há muito não o víamos, e é essa energia que deve manter, essa vitalidade.

O seu maior trunfo? A política de verdade, porque é de verdade que o país precisa. E depois, da mobilização de todos, porque estamos todos no mesmo barco. E teremos de colaborar, cada um na sua dimensão própria do possível e do justo.

 

Essa mobilização não surgirá por acaso, mas se souberem escolher quem melhor representa essa energia vital, essa convicção, essa alma acesa.

Aliás, no Prós e Contras mais recente, repararam como foi precisamente o médico, director do Hospital de Santa Maria, o que melhor percebeu isso?, percebeu que qualquer coisa de muito errado se está a passar. Falou em desânimo, perda de energia, e a generalizar-se. As pessoas precisam de esperança, de acreditar em qualquer coisa, de um futuro.

Sim, precisam de futuro, e sentir que estamos todos juntos a colaborar na direcção desse futuro possível.

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 16:08

A agitação jornalística e comentarista

Segunda-feira, 15.02.10

 

O ambiente já se agitou, ele é antenas abertas, fóruns populares, questionários, se quiser Pedro Passos Coelho ligue o número, ouço a voz ofegante da apresentadora... e a repetição da opinião do oráculo de domingo, que não avança e que neste momento só confunde e empata.

E não é só o oráculo a confundir e a empatar, são os jornalistas e os comentadores de serviço, onde é que eu já vi isto?, e tudo isto porquê?

Eu explico: Paulo Rangel teve a ousadia de se candidatar à liferança do PSD.

É por isso que ouço esta frase foleira a uma jornalista, onde nem aqueceu o lugar... Isto é frase que se diga? Céus!

 

Bem, vamos todos é respirar fundo e observar de forma distanciada. Para isso temos de baixar o som da televisão e do rádio sempre que se aproximar algum jornalista agitado ou comentador efervescente.

 

Primeiro ponto: onde é que a candidatura de Paulo Rangel é semelhante à de Aguiar Branco?

Segundo ponto: Já constatei que a candidatura de Passos Coelho é a preferida da generalidade dos jornalistas e dos comentadores de serviço.

Terceiro ponto: Também alguma coisa me diz, mas é só uma intuição, que Paulo Rangel é o preferido dos potenciais eleitores do PSD.

Quarto ponto: Se o oráculo gostava assim tanto de se candidatar, e se os eleitores o preferiam cono nos diz uma jornalista baseada não sei em quê, porque não avança?

Quinto ponto: A primeira coisa que se perdeu nestes anos mais recentes foi a educação básica, o respeito pelo outro nosso semelhante. A segunda, foi a capacidade de observar e reflectir, pela sua própria cabeça, e falar na sua vez. E tudo isto alimentado nas televisões e nos diversos programas de comentário político.

 

As três candidaturas têm o seu espaço e o seu grupo de afinidades no PSD e não se cruzam neste momento.

Pedir a um qualquer candidato que se afaste? A que propósito?

São filosofias de base diferentes, posturas diferentes, estilos diferentes, e perfis completamente diferentes.

Então há uns tempos que não havia ninguém no PSD, agora queixam-se por haver a mais? Decidam-se.

 

A minha opinião pessoal? Sim, adivinharam: Paulo Rangel.

O perfil adequado para uma liderança inteligente, dinâmica, com um propósito claro e bem definido, e que mobiliza vontades.

Mais do que consensos que só dão lugar à existência dos empatas de serviço, é preciso clarificar as posições e os objectivos, o que se quer para o PSD e para o país.

 

Quanto à agitação dos jornalistas e dos comentadores televisivos e radiofónicos, é só uma questão de não os levar muito a sério. Nada de fidedigno nasce da agitação. O que vale a pena nasce sempre da reflexão. Mas, claro!, tudo isto faz parte de uma sociedade em que tudo é tratado como um produto de consumo, em que não há valores ou referências acima de audiências e de outros interesses situacionistas.

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 11:32








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